Quanto custa um cavalo?

Quanto custa um cavalo?

Nilson Leite – criador, representante do Haras Rosa Mystica.

Uma das perguntas mais frequentes e que demanda grande reflexão é a de quanto CUSTA ou VALE um cavalo. A diferença entre ambos, é que um se traduz nos gastos totais, e o outro no valor de venda com algum tipo de ganho.

Custo ou valor o fato é que tal resposta dependerá de muitos fatores: Qual a raça? Qual o objetivo – esporte, recreação ou criação? Onde será estabulado? Para uso próprio ou investimento? Se próprio, para qual nível de equitação? Entre outros.

Cada raça possui uma finalidade esportiva e, portanto, peculiaridades que fazem com que seu CUSTO ou VALOR varie muito. Por exemplo, um Puro Sangue Árabe é praticamente imbatível em provas de Enduro, o Puro Sangue Inglês é especialista em corridas de longas distâncias, o Quarto de Milha domina corridas de curta distância e provas de rédeas, um Puro Sangue Lusitano é exclusivo nas touradas, e o Mangalarga é um cavalo de sela tipicamente prazeroso para uso em passeios ou trabalho no campo. Já o Warmblood é um cavalo selecionado para a prática dos esportes clássicos: Adestramento, CCE e Salto de Obstáculos. Claro que essas raças não se limitam a esses objetivos, mas em geral são lembradas por eles.

Esse artigo abordará, ainda que de forma sucinta, a dinâmico do mercado do cavalo Brasileiro de Hipismo (BH), que, oriundo do cruzamento de diversas raças de esporte conhecidas como Warmblood´s, já acumula grandes conquistas, em especial algumas medalhas olímpicas.

O cavalo Brasileiro de Hipismo tem por objetivo a prática dos esportes equestres olímpicos: salto, adestramento e Concurso Completo de Equitação (CCE). O custo desse cavalo inicia-se já na concepção do potro, onde o cruzamento do garanhão com a égua, poderá demandar maior ou menor custo. Poderão ser utilizados garanhões que estejam em solo nacional ou sêmens congelados importados quase que exclusivamente da Europa. As éguas poderão também ser nacionais ou importadas. Tanto garanhões como as éguas poderão ser comprovados ou não no esporte, ou, ainda, comprovados ou não na capacidade de reprodução genética. De acordo com a escolha, o custo do animal pode se elevar, pois obviamente uma égua de alto potencial esportivo e/ou genético tem um valor agregado muito superior a uma égua que, por exemplo, nunca saltou nenhuma prova ou nunca produziu qualquer potro de qualidade comprovada, portanto o custo de seu óvulo será maior. Paralelamente, a utilização do sêmen de um garanhão campeão também terá um CUSTO superior ao de um garanhão que nunca tenha participado de uma grande competição ou que não tenha uma progênie (filhos) de sucesso, o que lhe agregaria maior valor ao sêmen.

Considerando-se uma criação dentro das melhores práticas e manejo: ração, capim e feno de qualidade; vermifugação, vacinação e casqueamento adequado; acompanhamento de profissionais qualificados; a partir do nascimento do futuro potro, os custos desprezarão sua origem, e serão os mesmos, independentemente se oriundo de um cruzamento de campeões ou reprodutores de baixo apelo esportivo e/ou genético. Portanto, é muito importante avaliar o custo benefício desde o cruzamento do futuro potro, lembrando que o custo inicial será diluído no decorrer dos anos de sua formação.

Com 3 anos de idade, um animal oriundo de um bom cruzamento, com um manejo adequado terá custado para seu criador aproximadamente R$ 30.000,00 – que, na hora da venda, acrescentados impostos, comissões, documentação, exames, terá um valor médio de R$ 50.000,00. Atualmente encontramos uma variação muito grande nos valores de venda. Seja por falha operacional de custos ou mesmo da avaliação subjetiva pelo criador. O fato é que a criação de um animal de esporte realmente envolve muita subjetividade, pois trata-se de um ser vivo, e nem sempre sua valorização segue uma lógica mercadológica.

O fato é que a partir dessa base no preço de um potro, poderemos estimar a valorização de acordo com sua evolução hípica. Baseando-se o custo para manutenção/estabulagem em 18 mil reais anuais (preço médio no interior de São Paulo), teremos um animal com 5 anos custando cerca de 66 mil reais, sem contar eventuais custos para participação em provas externas. Portanto esse potro de 5 anos na hora da venda, valerá em torno de 80 mil reais, com os encargos já mencionados acima.

É preciso ter em mente que VALOR e CUSTO nem sempre andam juntos e dado a imprevisibilidade em termos da capacidade esportiva e clínica do animal, muitas vezes ocorre de o potro não conseguir se desenvolver além do que é exigido, por exemplo, de um animal com 5 anos hípicos. Seja por falta de força, técnica, coragem, saúde, ou mesmo por treinamentos inadequados. Deste modo, seu VALOR de mercado será depreciado, e encontraremos animais com 6, 7, 8, 10 anos, por preços muito inferiores que o CUSTO estimado em idades anteriores. No entanto, estes animais podem se tornar “animais professores”, que não apresentarão todo o potencial esportivo esperado, mas proverão a novos cavaleiros confiança e técnica, elevando assim VALOR de mercado.

Em contrapartida, se o animal de 5, 6, 7 anos apresentar desempenho superior aos demais de sua categoria e possuir genética que indique um futuro brilhante pela frente, ele terá uma valorização muito superior ao seu custo, principalmente devido as enormes dificuldades para um animal ultrapassar as barreiras do seu desenvolvimento etário e alcançar o nível mais alto do esporte: Grandes Prêmios com obstáculos a 1,60m de altura. Assim, um animal que consiga atingir esse nível de desenvolvimento com boa saúde dificilmente terá um VALOR de mercado inferior a um milhão de reais.

Também é importante ressaltar que muitos cavaleiros europeus possuem mais de um animal para competir na mesma categoria, de forma a poupá-los em algumas competições aumentando sua vida esportiva, justamente buscando evitar lesões que depreciaria rapidamente seu VALOR. Além disso, possuem animais em categorias mais jovens com intuito de encontrar e formar animais que poderão substituir suas montarias principais, garantindo assim, continuidade em competições mais importantes.

Além dos pontos exemplificados aqui (sempre longe da pretensão de ser um número exato, mas sim estimado), temos o cavalo do cavaleiro amador, que são animais que possuem elevado valor sentimental e podem ser categorizados como pet´s, cujas alegrias e momentos inesquecíveis compartilhados nunca poderão ser considerados CUSTOS, pois simplesmente não têm preço.

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